Pedaço de Mim

Composição: Chico Buarque

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus

 PEDAÇO ARRANCADO DE MIM

(adeus impossível)

 

Maiara está morta

Longa vida a Maiara!

(Eterna enquanto eu durar)

AMOR

 

folie à deux

(doença e cura)

AntiCristo

(AntiNietzsche)

 

o evangelho

da paixão

do apocalipse

da gênese

segundo Freud

 

ser ou não ser

o si mesmo é a questão

nem cristo salva

CICLO VICIOSO

Os fins depositam nas meias e nas cuecas,

o meio das meias e cuecas servirem aos fins.

Finalmente, alguém respondeu, adotando o formato de um artigo jornalístico denso, conciso e didático, à pergunta que não quer calar: Por que não existem virgens na zona?

Abaixo, uma explicação bem explicadinha do caráter estrutural e funcional da corrupção no Brasil (muito além da compreensão moralista, simplista e personalista da maioria da população, que continua, desde sempre e para sempre, a "esperar Godot" a respeito).

A propósito, lanço outra pergunta que não quer calar: Por que será que as instituições republicanas, principalmente o judiciário brasileiro, dispõe-se a desempenhar o patético papel de "enxugar gelo", a ser mera fonte de espetáculos circenses para as massas, distanciando-se anos-luz de um combate radical (no sentido culto do termo) à corrupção?

Denuncismo e Financiamento de Campanha

Por João Vergílio G. Cuter

Aos poucos, vai se desenhando com clareza a estratégia de poder da direita no Brasil. Não se trata de uma estratégia formulada explicitamente, fruto de reuniões de cúpula, ponderações de perdas e ganhos, argumentações exaustivas. É uma espécie de sedimento involuntário que foi se formando no espírito dos principais atores do processo político, ao mesmo tempo em que ia se escondendo por trás de um discurso justificador de caráter nitidamente ideológico. Essa estratégia tem dois pontos de apoio interrelacionados: as regras atuais para o financiamento de campanhas eleitorais e o denuncismo moralista.

O primeiro fator desempenha, nessa estratégia geral, um papel duplo. Em primeiro lugar, funciona como uma espécie de filtro ideológico. Se um partido ou candidato não estiver vocalizando uma proposta palatável para as grandes fortunas do país, estará simplesmente fora do jogo. Dependerá apenas da arrecadação miúda, das pequenas contribuições de cidadãos isolados, o que num país como os EUA (com uma tradição muito maior que a nossa nessa modalidade de apoio) representa menos da metade do valor necessário para bancar o jogo. Num país como o Brasil, não representaria coisa nenhuma. A simples necessidade de passar o chapéu junto à iniciativa privada, portanto, já obriga o político a posicionar-se para lá de um certo ponto no espectro ideológico.

Confiabilidade ideológica, no entanto, não é tudo. Ninguém despeja centenas de milhares ou mesmo milhões de reais numa campanha política se não tiver pelo menos uma de duas certezas. Ou bem deve estar convencido de que o político ali presente está (ou estará) em condições de lhe proporcionar ganhos muitas vezes superiores à contribuição dada, ou bem deve estar temeroso de que, se contrariado em suas pretenções, poderá lhe infligir danos consideráveis. Tanto a capacidade de proporcionar ganhos quanto a de impor prejuízos pressupõe o controle de postos-chave na administração pública, assim como a disposição de praticar ilegalidades de diversos tipos e magnitudes. Ninguém joga o jogo da política brasileira atual sem firmar o pé na criminalidade organizada.

É nesse ponto que o sistema de financiamento da política se une ao segundo ponto de apoio do sistema todo: o denuncismo golpista. O principal preço do financiamento das campanhas políticas é o rabo preso. Ao conquistar o poder, o político deve saber de antemão que poderá ser apeado dali a qualquer momento por uma campanha desestabilizadora. Não deve passar de certos limites, pois do contrário os crimes que foi e continua sendo obrigado a cometer para se manter no jogo serão denunciados em capanhas espalhafatosas na grande imprensa.

É importante, por isso, que de tempos em tempos estourem escândalos como esse que envolveu o governador Arruda. Os políticos todos são alertados, nessas ocasiões, para a fragilidade de sua posição de mando. Percebem claramente que poderiam estar no lugar da vítima do dia, pois têm culpas exatamente semelhantes.

O denuncismo ocupa, hoje, a posição que já foi dos tanques. Em último caso, dada a profusão das acusações possíveis, é sempre possível mover uma campanha golpista contra qualquer ocupante do poder. Ou seja, quando o filtro ideológico inicial não funciona, resta sempre essa última altenativa, que terá o patrocínio direto, não mais dos militares, mas dos tribunais.

É esse o jogo que a direita pretende eternizar, apesar de quaisquer perdas que venha a sofrer no percurso. Globalmente, a estratégia garante a manutenção do status quo ao preço de uma corrupção generalizada. É preciso começar a perceber que essa corrupção, longe de ser indesejada, é funcional. No que depender dos conservadores, ela veio para ficar. O sacrifício de José Roberto Arruda envolve riscos localizados, mas envolve também ganhos bem palpáveis. Ao sacrificar um dos seus, a direita se credencia para pedir o sacrifício de quem quer que seja, quando a ocasião se der. É por isso que Lula tenta tirar o peso do episódio, mantendo-se à distância. E é por isso que, do outro lado, a cabeça do governador é pedida, em nome da coerência.

Esse jogo definitivamente não nos interessa. Financiamento público de campanhas o quanto antes!

MA(IA)RA

maiarafilha
maiaravilha

JURISPRUDÊNCIA PREOCUPANTE

Quem foi crucificado, Cristo ou Barrabás?

“Para Emanuel Cacho, a replicação no Youtube do vídeo que mostra o descontrole da médica Ana Flávia Pinto Silva, já está passando dos limites. Em conversa por telefone ele me disse que acredita que as imagens foram feitas por um funcionário da Gol de dentro da área de trabalho. Disse também que assim que a delegada Georlize Teles concluir o inquérito policial e apresentar o vídeo original entrará com as medidas judiciais cabíveis.

Para Emanuel Cacho, houve uma violação do direito de imagem da médica. Segundo ele, já na próxima semana vai entrar com uma ação na justiça para impedir que o vídeo seja utilizado novamente, caso contrário vai pedir os números de IP´s dos computadores para descobrir quem recoloca o vídeo na internet.”

Fonte: blog do Ricardo Marques (http://ricardomarques.blog.emsergipe.com/)

MEU DESOLADO COMENTÁRIO:

Mundo cruel, mundo cão, alguém que auxilie a polícia a combater um crime deve ser punido por isso? Só cRi$to salva?

Peço desculpa por dizer mais uma obviedade ululante, mas os fatos comprovam a necessidade imperiosa de dizê-la:

Os pedidos de desculpas apresentados por Ana Flávia Pinto Silva à sua vítima direta, Diego José Gonzaga, às demais vítimas de crimes semelhantes e aos segmentos da sociedade brasileira que ingressaram na modernidade, só poderiam ser levados a sério por seus destinatários se o seu advogado tivesse demonstrado ser capaz de empatia ao elaborar o seu discurso (da cliente) direcionado a esses grupos, o que teria evitado, por exemplo, o conteúdo da infausta nota pública que insultou profundamente a inteligência do seu público-alvo principal, os afrodescendentes (particularmente, mas não somente).

Digo isso, ainda, de outro modo, mais claro e preciso. Se tivesse havido um mínimo de empatia, da parte de seu advogado, dirigida às centenas de milhares de pessoas que se sentiram atingidas pelo terrível acontecimento (por ter sido emblemático, por ter retratado fielmente, de um modo nu e cru, significativas parcelas da sociedade brasileira que não conseguem transcender a visão de mundo que predominou em nosso país até o século XIX), a senhora Ana Flávia Pinto Silva teria limitado os seus pedidos de desculpas às seguintes palavras (nenhuma a mais, nenhuma a menos): MEA CULPA, MEA MÁXIMA CULPA!

A propósito da nota pública divulgada por Ana Flávia Pinto Silva, acusada de ter cometido injúria qualificada por preconceito racial:

1. Observem que até na nota pública há resquícios da extrema arrogância registrada no vídeo: “me coloco à inteira disposição da justiça para os esclarecimentos que se fizerem necessários”. Não, minha cara, não é a senhora que se coloca à disposição da Justiça, não é uma concessão que a senhora faz à sua vítima e à sociedade brasileira. Na verdade, por causa do episódio ultrajante protagonizado pela senhora, assistido por centenas de milhares de pessoas em todo o Brasil, a Lei prevê que a senhora será COMPELIDA a apresentar os esclarecimentos necessários;

2. É importante registrar uma obviedade ululante sabida por todos os profissionais da área psicológica: o estresse, por mais intenso que seja, não é fato gerador de preconceito racial ou de classe (ou de qualquer tipo de preconceito). O único efeito do estresse é fazer cair a máscara do preconceituoso, é desnudar o íntimo do seu ser, é fazer chegar à boca o que transborda em seu coração;

3. Trata-se da velha e desgastada tática de “tentar cobrir o sol com uma peneira”. Justificar o injustificável não está ao alcance do ser humano, por mais competente que este seja, como parece ser o caso do advogado de Ana Flávia Pinto Silva, o provável autor dessa nota, que seria cômica se não fosse trágica;

4. Essa nota não responde uma pergunta que não quer calar: quantas dezenas de milhares de reais a senhora Ana Flávia Pinto Silva dispõe-se a pagar, a título de indenização por danos morais, ao senhor Diego José Gonzaga, honrado cidadão que foi humilhado e ofendido em seu local de trabalho unicamente por estar cumprindo estritamente o seu dever profissional?

PARA ZELITA E ZEFINHA, SERES ELOQUENTES, MINHAS TIAS

SERES ELOQUENTES

Testemunho cristão não é discurso,
é o modo Zelita-Zefinha de ser.

LIÇÃO PATERNA

 

Honestidade é como gravidez,

não é possível ser ligeiramente

honesto ou desonesto.

VIDA CRISTÃ

O evangelho
segundo João Paulo,
meu pai.

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